sábado, 4 de outubro de 2008

De volta para casa...



Aguaí, 5 outubro de 2008. 1:11hs da manhã.

Mamãe acaba de ir dormir... depois de longas histórias sobre a vida dela.
Juro e confesso... Estou emocionado demais. Acho que por muitas vezes me ausento daqui, por uma série de motivos - trabalho, correria, a viagem que sempre me cansa, a vida de adulto, etc.

Mas hoje, minha mãe do nada começou a contar da sua infância e adolescência aqui em Aguaí.
Eu sempre soube um pouco... das dificuldades passadas... embora se tinha terra por aqui. Mas terra não se come.

Entramos numa sessão... de volta pro passado mesmo. Fiquei analisando cada palavra dita por minha mãe.

Só para quem não conhece minha mãe (e eu sei que eu sou suspeito pra falar dela), ela é uma mulher mega forte... acho ela linda (não só fisicamente) e tem um sotaque típico do interior do estado de São Paulo... a voz mansa e forte. Não sei exatamente a idade da mamãe, não por displicência... é que eu sou péssimo em números. Mas circula em torno dos seus 50 anos.
Tornou-se sabia demais... estuda pra caramba, sobre tudo que pode mudar a vida de um ser humano pra melhor. Digamos que mamãe estuda "O caminho da felicidade".

Voltamos à sessão com minha mãe.
Começou a falar de quando ainda era menina... que na casa dela (dos meus avós), acordavam muito cedo. Ainda não existia energia elétrica e dormiam, literalmente, com as galinhas.
"Não existia muita diversão...”, era pura brincadeira de rua. Ela teve por diversão, desde garotinha, os afazeres de casa: limpar o peixe para o almoço, ajudar minha avó encerar o chão, etc.

Depois da chegada da luz elétrica, compraram um rádio. "O radio era ligado as 5 horas da manhã, como se fosse meio dia". Ouviam "repórter Esso" e novelas pelo radio. Contou que minha bisa parava a casa por causa das novelas. Sentava de fronte ao radio e não se podia fazer um barulho. Mesmo com o radio, a diversão dos afazeres de casa, continuou.

Mais tarde, compraram a geladeira. Eu cheguei a conhecer essa geladeira... hoje seria peça de museu.
"A vó dizia que iríamos ter suco gelado (antes da chegada da geladeira)"... foi impossível conter as lagrimas... mas ainda assim as segurei nos olhos... e deixei minha mãe contar todas as histórias... de infância.

Falou de quando era mocinha... e logo começou a trabalhar: "Já tinha virado mocinha e meu primeiro trabalho era vender LP's. Eu adorava". Ufa! Descobri minha ligação musical... de alguma maneira.
Quando era jovem... aqui em Aguaí... só podia sair no sábado a noite. Saiam as 18:00hs e tinham que voltar pra casa as 21:00hs. Mas às 21hs era pra estar dentro de casa. Detalhe, só podiam sair de casa... quando não chovia.

Logo mamãe conheceu o papai. Apaixonaram-se... enlouquecidamente. Minha mãe era nova e meu pai também. Casaram-se. Eles estão há mais ou menos 33 anos casados. Meu pai é um eterno apaixonado por ela. E minha mãe descobriu no meu pai o Amor da Vida dela.

Papai hoje me fez sentar no computar para ver fotos dos meus bisavós... e contou a história deles. Ele está numa pilha animal para montar a árvore genealógica da família. E eu acho ótimo e dou todo apoio. Meu pai aprendeu a gravar DVD e CD... passar fita de vídeo cassete para DVD e anda se divertindo com isso.

Para quem não conhece meu pai (e eu sei que eu sou suspeito para isso)... ele é muito calado, religioso, simples... e lindo. Meu pai é um homem mega esforçado e lutou muito para criar os 3 filhos e cuidar da mamãe. Quando precisa, é duro e doce... na mesma intensidade. Como disse, ele fala pouco, mas quando fala (também com o sotaque do interior do estado) eu paro para prestar atenção.

Papai foi caminhoneiro e fala disso com orgulho. Sei que ele é de Minas Gerais, usa barba e adora jogar vídeo game. Como é de falar pouco, é nas ações dele que me espelho. Sabe que esse silêncio dele me deixou por tempos, incomodado. Quando vejo que meu pai está em silêncio, eu imagino que ele esteja rezando, de alguma maneira. Que ele está agradecendo, pela família que tem...

Quando nasci, na minha casa já existia geladeira, fogão, tv a cores... e logo depois chegou CD (acabando com o toca discos da sala). Em seguida computador, celular... internet... e tantas outras coisas tecnológicas. Mas cheguei a brincar na rua... e muito. E vivi as coisas de uma criança do interior, na década de 80.

E fui embora para São Paulo... mas isso é uma outra história.

A casa dos meus pais é meu maior templo.
É onde consigo me entender melhor.
É minha história...
E eu andava ausente de tudo isso.

Fredericco Baggio

4 comentários:

Anônimo disse...

Pois é, nossas mães sempre nos emocionam!
Bjs meu lindo!
Teu fã!
L.E.S

Enzo Potel disse...

cidade de interior nos interioriza.

é bão demais ler sobre você.

bjonz

Pedro Stoyanovith disse...

essa sensação de voltar pra casa...ainda que eu desconheça...posso sempre te-la em mente atraves de suas palavras...

te amo....meu poeta...

Danielle disse...

...borrou meu rímel...te adoro querido!